Conexão ilegal
Não é por acaso que as televisões por assinatura cobram mensalidades altas aos usuários. Todo conteúdo veiculado carece do pagamento de direitos autorais às produtoras e uma série de regulações estipuladas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
As televisões piratas cobram valores inferiores porque não cumprem nenhum desses requisitos. Assim, quando o usuário consome ou vende os conteúdos de forma indevida, ele comete um ilícito civil e pode ser penalizado por isso.
A Lei Geral das Telecomunicações aponta que quem comercializa o sinal clandestino pode ser penalizado com dois a quatro anos de prisão e multa de até R$ 10 mil.
Dados pessoais desprotegidos
Mas se a irregularidade não impede o consumo clandestino, outro fator pode chamar a atenção dos brasileiros. Sem permissão para funcionar, os aparelhos piratas dependem de um servidor externo, muitas vezes instalados fora do país, de onde sai todo o conteúdo veiculado.
Não há como saber ao certo quem comanda esses servidores – e qual é o interesse e a maneira de interferir nos dados pessoais dos usuários.
“Os sinais clandestinos tendem a conter falhas de segurança, o que permite a hackers o acesso a dados pessoais dos usuários, informações financeiras e arquivos e fotos armazenados nos dispositivos que compartilham a mesma rede doméstica”, explicou o gerente técnico da NETSV, Gean Pagliari.
Garantia zero
Em geral, os aparelhos não consomem uma taxa elevada de internet, mas seu funcionamento não depende só da conexão – e sim do servidor geral. Toda a programação é compartilhada por milhares de usuários e, na maior parte das vezes, percorrem um longo caminho até alcançar os aparelhos.
“Como a conexão é compartilhada entre os usuários, em horários de pico a demanda aumenta e o servidor fica sobrecarregado, o que gera travamentos”, apontou Pagliari.
Além disso, não há qualquer suporte ou garantia do fabricante – e nem a possibilidade de reclamar com órgãos reguladores. “É um sistema ilegal, precisamos entender isso. Então o custo pode ser baixo, mas na prática é um grande prejuízo aos usuários”, completou o gerente técnico da NETSV.